
Pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita e parceiros com 400 escolas do país constatou que as tecnologias existem, mas são insuficientes e pouco aproveitadas
Quando se diz que 83% das escolas públicas do Brasil têm acesso à internet e 98% delas possuem computadores, imaginamos que educação e tecnologia caminham de mãos – e mouses – unidos.
A realidade, porém, é menos animadora e bem mais desafiadora aos educadores do país, segundo a pesquisa “O uso dos computadores e da internet nas escolas públicas de capitais brasileiras”, realizada em 400 instituições de ensino pela Fundação Victor Civita (FVC) junto ao Ibope e ao Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Os resultados apresentados e debatidos hoje, na capital paulista, mostram que a maioria das escolas ainda não conseguiu incluir os recursos tecnológicos em seu projeto pedagógico. Para Ângela Cristina Dannemann, diretora executiva da Fundação Victor Civita, a principal razão disso é a falta de formação dos professores para utilizá-los na aula.
“A pesquisa mostra um recorte singelo, com o intuito de fazer um mapeamento da educação no país. Estamos na mesma situação de anos atrás. Agora precisamos aprofundar com estudos de casos, acompanhar os professores e fazer as escolas reagirem”, diz Ângela.
De acordo com a conclusão desta primeira fase da pesquisa, os programas mais usados pelos professores são os menos complexos; 50% deles usam editores de texto e apenas 12% usa software de programação, por exemplo.
Isso é reflexo do próprio cotidiano dos educadores, que utilizam programas fáceis quando estão sozinhos, como sites e programas de visualização de mapas. De certa maneira, ensinam o que dominam – e que não é muito, tampouco satisfatório.
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