Análise de Fontes ATX

Introdução

Após a chegada das CPU a velocidades tão estonteantes quanto 2,0GHz ou mais, as fontes de alimentação (também conhecidas como fontes ATX) se tornaram itens de primeira importância quando planejamos uma compra ou atualização.

Com processadores em 2,0GHz ou mais, tipicamente 512MB de memórias DDR, HDs de 7200 rpm, placas de vídeo como as Radeon 9700/9800 ou GForce 5800/5900, mais alguns ítens com menor consumo, como unidades óticas, um sistema moderno, de acordo com diversas medições disponíveis na Internet, apresenta um consumo total de pouco mais de 200W reais (até 240W, dependendo da configuração), o que nos leva a crer que uma fonte de 300/350W seria suficiente para atender às suas exigências de consumo, com alguma folga para um upgrade.

O problema começa quando percebemos que aqui no Brasil, apesar de diversos testes e reviews explicando que não podemos confiar nestas fontes que vêm junto com os gabinetes de 150/200 reais, o consumidor crê que fez um bom negócio comprando uma fonte de 450/500W na Sta. Ifigênia por módicos R$ 50,00… imaginem uma fonte fabricada na China, que atravessou metade do mundo de navio e, ainda assim, custa por volta de US$15,00 em nosso mercado… ou dois BigMacs no MacDonalds chinês… realmente não dá para confiar…

Pergunta: Você confiaria seu sistema baseado em Pentium4 EE 3,2GHz, com 1GB de DDR 400MHz, 2 HDs SATA de 120GB, uma SoundBlaster Audigy 2, uma Radeon 9800 Pro e mais alguns badulaques (ventoinhas, cooler), à alimentação de uma destas “Super Fontes de 450W”? Definitivamente, acho que não.

Esta apresentação tem como objetivo ajudá-lo a encontrar a Fonte ATX realmente confiável que atenda aos requisitos da sua configuração e que não desfalque sua conta no banco com gastos demasiadamente excessivos (a isto damos o nome de “Relação CUSTO/BENEFíCIO”).

Dentre as fontes de fabricantes confiáveis, disponíveis em nosso varejo (São Paulo), selecionamos os modelos:

  • Thermaltake 360W Passive PFC
  • Thermaltake 420W Passive PFC
  • Thermaltake 430W
  • TTGI TT-350SS Dual Fan
  • Seventeam ST-400WAP Active PFC 12cm Fan
  • Seventeam ST-350HLP Active PFC
  • Zalman ZM400B-APS Active PFC
  • Zalman ZM400A-APF Active PFC
  • Zalman ZM360B-APS Active PFC
  • Zippy 300W ATX 12V

Antes de darmos prosseguimento às avaliações, pecisamos esclarecer alguns aspectos que consideramos importantes em fontes de alimentação:

Active/Passive PFC – Do inglês Power Factor Correction, tem como objetivo proporcionar baixa distorção na rede de alimentação (entrada da fonte), e não em sua saída. Fontes que possuem Active PFC apresentam uma eficiência entre 85 a 95%, ou seja, este percentual de energia consumida é que será despejado nas saídas de 3,3, 5 e 12V. De quebra, ajudam a diminuir o consumo de energia, a temperatura da fonte e seu ruído: maior eficiência = menor consumo = menos calor gerado = ventoinha com menor rotação = menos ruído. Já fontes com Passive PFC apresentam uma eficiência média de 70 a 80%, também muito boa, aplicando-se à elas a mesma equação das que possuem Active PFC.

Proteção contra Curtos/Sobrevoltagem (SCP e OVP) – é de extrema importância que uma fonte, para ser classificada como confiável, apresente algum nível extra de proteção em caso de curto-circuito ou sobrevoltagem. São comuns relatos de usuários que tiveram placas mãe, processadores, mamórias e até HDs perdidos porque a fonte queimou e levou consigo estes delicados itens. Também não adianta a fonte apresentar estas características e o usuário sequer dispor de um TERRA descente em sua residência ou escritório… Fontes não fazem milagres!!!

Ventoinha com controle automático de rotação – Não é preciso nem comentar que a grande maioria destas fontes de baixo custo disponíveis em nosso mercado não possui ventoinhas termo-controladas, colocando-as para rodar o tempo todo na velocidade máxima, gerando um desgaste mecânico e ruído inúteis. é muito importante que uma fonte possa adequar o nível de rotação de sua(s) ventoinha(s) de acordo com o consumo ou a temperatura local.

Eficiência declarada – Como comentado acima, Fontes com Active PFC ou Passive PFC apresentam uma eficiência maior do que as fontes que não possuem estes circuitos. Bons fabricantes costumam declarar a eficiência média de suas fontes na sua etiqueta de especificações ou site na internet. Há fontes sem PFC com eficiência de aproximadamente 50%, assim como algumas apresentam eficiência de 70%. é só questão de pesquisar antes de optar por um modelo ou outro. As fontes da TTGI e Enermax, apesar de não possuirem PFC, apresentam uma eficiência média de 70%.

Potência declarada – Apesar da maioria das fontes vendidas em nosso mercado mentirem (o termo correto é este mesmo, mentir…) muito das suas especificações, bons fabricantes declaram os valores reais de potência em suas etiquetas, alguns sendo até modestos, por suas fontes suportarem trabalhar acima da potência máxima especificada. Cuidado com as fontes de R$50,00 que dizem possuir 400 ou mais Watts de potência… Um cálculo rápido de ± R$0,60 por Watt real pode ser tomado como bom indicador… algumas apresentam valores mais elevados, mas nunca inferiores.