Athlon XP 2500+ @ 3200+
Introdução
Segundo os dados de 2002 da Gartner Dataquest, os processadores da AMD estão presentes em cerca de 20% dos computadores produzidos mundialmente. Na América Latina, este índice sobe para 25% e, no Brasil, para impressionantes 47%! Isso só vem ressaltar a grande diferença que marca o mercado brasileiro em comparação, inclusive, com seus vizinhos Sul Americanos.
Ao contrário do que se possa imaginar, isso não se deve a uma “visão aguçada” por parte dos integradores, nem tampouco a uma “pipeline de poucos estágios”. O que conta mesmo, pelo menos aqui no Brasil, é o preço, uma vantagem indiscutível dos processadores AMD. Veja: a preços de março de 2004, um Athlon Barton 2500+ podia ser encontrado na região da Sta. Ifigênia, em São Paulo, por cerca de R$300,00, ao passo que um Pentium 4 2,4GHz HT com FSB 800MHz era encontrado por R$550,00. Com essa diferença, dá para se adquirir um módulo de memória DDR400 com 256MB de boa qualidade (Kingston, Crucial, Samsung).
Desde seu lançamento, os processadores AMD Athlon vêm conquistando usuários que buscam performance sem necessariamente ter que pagar mais caro por um processador Intel. Quando da criação dos modelos Socket A, estas eram as CPUs com a melhor performance na plataforma PC. Diversos testes disponíveis na internet apontam uma indiscutível superioridade dos Athlon frente aos Pentium III e Pentium 4 iniciais. Tanto isso é verdade que os TBird de 1GHz (primeira CPU a chegar a casa do Gigahertz!) ainda consta em muito benchmarks como a mais rápida CPU clock-by-clock do mercado.
Mas a que se deve este desempenho todo? Algumas características destes processadores podem nos ajudar a compreender isso. Primeiro, os Athlon em geral possuem dois níveis de cache não inclusivos. Isso significa que o conteúdo do cache L1 não é copiado no cache L2, como acontece com a maioria das outras CPUs do mercado. Outro fato que contribui muito é a manutenção de uma pipeline com menos estágios, que executa até 9 instruções por ciclo de clock. É por isso que a frequência máxima alcançada até agora por um Athlon comercial foi 2,25GHz (Barton 3200+), ao passo que o Penium 4 já alcançou 3,4GHz (mas sua pipeline possui 20 estágios e executa apenas 6 instruções por ciclo de clock).
Neste artigo, iremos apresentar as diversas gerações de Athlon que utilizam o Socket A, começando pelo Athlon Thunderbird (lançado em 2000), até culminar com os segredos que envolvem as pontes dos últimos XPs: Thorougbred e Barton (lançado em 2003). Aprenda também como destravar seu processador (caso esteja travado), escolher boas placas para o sucesso de seu overclock e, de quebra, ganhar até 700 pontos de classificação dos athlon sem pagar nada mais por isso.
Athlon Thunderbird
A segunda geração dos processadores Athlon, chamados Thunderbird, surgiram em 5 de Junho de 2000. Esta versão do Athlon é encapsulado em um formato mais tradicional (PGA ou “pin-grid array”) e é conectado à placa-mãe em um soquete denominado Socket 462, também conhecido como Socket A.
Foi fabricado e vendido em frequências que variam de 650 a 1400 MHz. A principal diferença, entretanto, foi no design de sua memória cache. Assim como a Intel, que substituiu os antigos Katmai Pentium III pelos muito mais rápidos Pentium III Coppermine, a AMD substituiu os 512 kB de memória cache externa do Athlon Clássico, que rodava com a metade da frequência do microprocessador, por 256 kB de memória cache embutida dentro do chip e que rodava com a mesma frequência do microprocessador.
Em termos de performance, o Thunderbird foi superior aos seus rivais Pentium III, e os primeiros Pentium 4 que tiveram seu desempenho melhorando gradualmente. O P4 de 1.7 GHz (Abril de 2001) mostrou que o Thunderbird não poderia se manter na liderança em desempenho por muito tempo. Devido a seu design, surgiram problemas no consumo elétrico e na dissipação térmica e tornou-se inviável ultrapassar os 1400 MHz. Na época, o Thunderbird foi o produto de maior sucesso da AMD desde o Am386DX-40.
Foram fabricados no processo de 0.18µm, com 128kB de cache nível 1 (L1), dividido igualmente em 64kB para dados e 64kB para instruções, e 256 kB de cache nível 2 (L2), operando com FSB de 100MHz (DDR-200) ou 133MHz (DDR-266). Seu núcleo mede 128mm2, e estavam disponíveis em velocidades de 650MHz até 1.4GHz, em um encapsulamento cerâmico bem característico. Esse encapsulamento foi substituído nas últimas “fornadas” antes da chegada do Athlon XP Palomino.
Especificações
- Cache L1: 64+64 KiB(dados+instruções)
- Cache L2: 256 KiB
- MMX, 3DNow!
- Slot A (por encaixe) e Socket A (462 pinos)
- FSB:
- 100Mhz (200MT/s) – Slot A, modelos B
- 133Mhz (266MT/s) – modelos C
- Processo de fabricação: 180nm
- Consumo e dissipação de calor (TDP): 60 W até 72 W
- Primeiros lançamentos: 5 de Junho de 2000
- Clock:
- SlotA: 650Mhz até 1000Mhz
- Modelo B: 600Mhz até 1400Mhz
- Modelo C: 1000Mhz até 1400Mhz

Athlon XP Palomino
A AMD lançou a terceira geração do Athlon em 9 de Outubro de 2001, com o codinome “Palomino”. Esta geração foi a primeira a incluir todas as instruções SSE do Intel Pentium III, assim como as intruções da AMD 3DNow! Professional. Foi lançado em frequências entre 1,33 e 1,73 GHz, com índices de performance entre 1500+ a 2100+ (PR – “Performance Rating”). As maiores alterações foram otimizações no design do núcleo para aumentar a eficiência em aproximadamente 10% comparado a um Thunderbird de mesma freqüencia, através de melhorias na arquitetura TLB e a adição de um mecanismo para melhor aproveitar a largura de banda de memória disponível.
O novo núcleo do Athlon consumia aproximadamente 20% menos energia que seu predecessor, assim reduzindo a dissipação de calor. O núcleo foi também modificado para permitir maior escalabilidade na frequência de seu clock. Em seu lançamento, o Athlon XP permitiu a AMD claramente tomar a liderança de desempenho na plataforma x86 com o 1800+, e aumentar ainda mais a liderança com a entrada do 1900+ (1600 MHz) menos de um mês depois.
O Palomino foi primeiro a ser lançado para plataforma móvel, denominado Mobile Athlon 4 (codinome “Corvette”), pelo fato de que era o quarto núcleo a ser chamado de Athlon (após o K7 original, o K75 0.18 µm e o Thunderbird), mas muitas pessoas notaram que o nome era mais provável devido ao recém lançado Intel Pentium 4. A versão para desktop Athlon XP apareceu alguns meses depois, em Outubro.
Especificações
- Cache L1: 64+64 kB (dados+instruções)
- Cache L2: 256 kB
- MMX, 3DNow!, 3DNow! Professional, SSE
- Socket A (462 pinos)
- FSB: 133MHz (266MT/s) – modelos “C”
- Processo de fabricação: 180nm
- Consumo e dissipação de calor (TDP): 60 W até 72 W
- Primeiros lançamentos: 9 de Outubro de 2001
- Clock: 1.33Ghz até 1.73Ghz (1500+ até 2100+)

Athlon XP Thoroughbred (TBred)
Thoroughbred A
A quarta geração baseada no K7 foi lançada na metade de 2002. Com um desempenho similar aos Athlon Palomino de mesmo clock, sua inovação foi o refinamento da litografia usada, agora em 130nm.
Com isso, a AMD conseguiu reduzir o consumo e, consequentemente, seu vCore e seu TDP. Foram lançados modelos com índices entre 1600+ e 2200+, com clock variando entre 1,4 e 2,06 GHz. Todo o resto foi mantido.
Thoroughbred B
Lançado pouco após a primeira versão do Thoroughbred, esta revisão se mostrou mais eficiente. Com esta atualização, os Athlon XP conseguiram obter valores bem superiores de clock, chegando a 2.25 GHz. Operavam não somente a 133 MHz (DDR-266) de barramento, como a 166 MHz (DDR-333). Uma característica importante é o multiplicador desbloqueado, que permitiu a AMD ganhar uma grande quantidade de fãs da marca. Seus modelos variam de 1700+ até 2800+, com clock variando de 1.46 GHz até 2.25 GHz.
Especificações
- Cache L1: 64+64 kB (dados+instruções)
- Cache L2: 256 kB
- MMX, 3DNow!, 3DNow! Professional, SSE
- Socket A (462 pinos)
- FSB:
- 133 MHz (266MT/s) – 1600+ até 2600+
- 166 MHz (333MT/s) – 2600+ até 2800+
- Processo de fabricação: 130nm
- Consumo e dissipação de calor (TDP): 48,5 W até 74 W
- Primeiros lançamentos:
- 10 de Julho de 2002 (T-Bred A)
- 22 de Agosto de 2002 (T-Bred B)
- Clock:
- 1,4 GHz até 1,8 GHz (T-Bred A, 1600+ até 2200+)
- 1,46 GHz até 2,25 GHz (T-Bred B, 1700+ até 2800+)


Athlon XP Barton
Aqui apresentamos o Athlon XP Barton. Ele é o décimo membro da família Athlon e o terceiro significativo da ramificação XP. Anteriormente a ele vieram o Palomino e o Thorougbred. Na imagem abaixo fica mais fácil visualizar as alterações sofridas, como modificação das pontes Lx e o aumento do tamanho do die, em relação ao TBred, ao Palomino e ao TBird:
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| Thunderbird | Palomino | Thoroughbred | Barton |
A primeira imagem consiste em um Athlon Thunderbird de uma boa “fornada”, da série AXIA e com 1,2GHz de velocidade; a segunda imagem mostra um Athlon XP Palomino também de ótima série, no caso, AGOIA. Na terceira imagem podemos ver um TBred 2700+, com 256KB de L2, FSB de 333MHz e área de 87mm². Já na última imagem vemos um Barton 3000+, com 512KB de L2, FSB de 333 ou 400MHz e área de 101mm². Abaixo, vemos o CPUID identificando corretamente um Barton 3000+:

Em relação aos TBred, os Barton diferem no refinamento do processo de produção, que passou a permitir processadores com 54,3 milhões de transistores, frente aos 37,2 milhões do TBred. Além do aumento do tamanho do cache L2, também estão disponíveis dois modelos com FSB em 400MHz: o 3000+ (2,1GHz reais) e o 3200+ (2,2GHz reais).
Antes de lançar o Barton, a AMD afinou bastante o processo de fabricação dos TBred, havendo disponibilizado três revisões em menos de 6 meses. Só por curiosidade, o Palomino não sofreu nenhuma revisão desse tipo em seus 8 meses de vida.
Apesar do refinamento, e da troca do processo de fabricação de 180 para 130 nanômetros, o TBred evoluiu somente de 1733MHz até 2167MHz, aumento de exatos 25%, com o 2700+. Já o Barton, nasce com as mesmas frequências de seu irmão mais velho, mas com mais de 17 milhões de transistores a mais e um barramento mais rápido. Como a AMD pretende manter o Athlon XP mesmo após a introdução do Athlon 64, é provável que o processo 0,13 SOI passe a ser empregado.

Enquanto as frequências das unidades de execução continuam patinando no mesmo lugar, por exemplo, com o TBred 2200+ e o Barton 2500+ apresentando quase as mesmas frequências (1,8GHz e 1,83GHz, respectivamente), outros parâmetros vão sendo alterados. Além do aumento do L2 (512KB), outra novidade trazida por alguns deles é o FSB de 400MHz. Com o incremento do FSB de 266MHz para 333MHz e até 400MHz, a frequência dos núcleos difere um pouco entre os modelos. O caso mais recente é o do Athlon 3000+, que apresenta uma frequência de 2167MHz para o modelo com FSB de 333MHz, e 2100MHz para o modelo com FSB de 400MHz.
Quanto à dissipação de potência, uma má notícia para os overclockers. O Barton 3200+ pode dissipar até 77W, não sendo recomendado para overclock. Já o modelo 2500+, apresentado juntamente com os mais rápidos da série, possui um FSB de 333MHz, o multiplicador 11 e uma dissipação térmica máxima de 68,3W. A temperatura máxima no die não pode ultrapassar os 85ºC, mesmo limite estabelecido com o TBred. Também já é fabricado com um novo substrato. Apesar de continuar sendo um OPGA, agora não há mais contatos visíveis, ficando os mesmos cobertos por uma camada isolante. Sem dúvida, uma dificuldade a mais que os overclockers terão que enfrentar.
Uma outra notícia ainda mais preocupante se refere ao fato de a AMD só estar produzindo processadores com os multiplicadores travados. Aparentemente, todos os processadores fabricados após a semana 39 ou 42 de 2003 estão vindo bloqueados de fábrica, o que vai dificultar ainda mais a vida de que quer dar uma turbinada na máquina.
Para obter sucesso em overclock, considere os chipsets Nvidia NForce 2 400/ NForce 2 Ultra 400, VIA KT600 e KT880, e SIS 748, ambos capazes de operar com o FSB em 400MHz e possuirem os divisores para isso (1/6). Considere também o uso de memórias DDR333 de baixas latências em overclock (como as Corsair 2700LL) ou DDR400 de baixas latências (Samsung C-TB4, Corsair 3200C2, Corsair 3200LL, Geil PC3200 Ultra, etc). Uma boa fonte de alimentação também será fundamental. Veja nosso artigo sobre fontes ATX.
A refrigeração também será importante. Coloque pelo menos uma ventoinha soprando ar para dentro do gabinete (que tal na tampa lateral, em cima das memórias? – na minha máquina fiz isso e a temperatura interna pelo MBM5 caiu 5ºC!!!), e uma na parte de trás, sugando o ar quente para fora. Também certifique-se de possui um cooler que suporte esse nível de operação (tenho um Volcano 9, e a máxima temperatura do meu XP 2500+, pelo MBM5, foi de 52ºC, medida pelo diodo interno, com duas ventoinhas jogando ar fresco, duas retirando o ar aquecido, e uma fonte Zalman 400W).
O futuro do Athlon
Na época em que este artigo começou a ser escrito (fevereiro de 2004), a AMD estava finalizando aquele que seria um processaodor revolucionário, por apresentar até então características nunca vistas em um processador para PCs; ele era o AMD Athlon 64.
Depois de todos esses anos de estrada, e hoje, cinco anos após esse lançamento, temos a AMD com cerca de 25% do mercado mundial de processadores. Durante esse período, foram lançados diversos modelos tanto da linha Athlon como de outras linhas de baixo custo – tais como Duron e Sempron – quanto da linha mobile da empresa – como os Athlon M, Turion X2, Athlon 64 X2, etc.
O fato é que os processadores da AMD conseguem realizar as mesmas tarefas que qualquer processador da Intel. Pode perder em alguns testes; outras vezes, surge um modelo “matador” de uma ou outra empresa, mas no geral, pode-se montar um PC com ótima performance e com grande vida útil optando-se por uma ou outra plataforma.
Posso parecer saudosista, mas a minha entrada nesse mundo da informática se deu por um processador AMD (Athlon TBird 1,2 GHz) em meados de 2001. Desde aquela época até hoje, já recomendei máquinas das mais diversas, com processadores como Athlon XP 1600+, Sempron 3400+, Athlon XP 1700+, Athlon XP 3200+, Athlon 64 3200+, Athlon 64 X2 6000+, até chegar a uma recente indicação de compra (efetivada) com um Phenom X4 9950 Black Edition.
Em todas essas ocasiões, os usuários se sentiram extremamente realizados (eu inclusive), pois era possível fazer de tudo nesses PCs com um baixo investimento e procurando produtos de qualidade, sem necessariamente serem top de linha.
Atualmente me rendi ao poder de uma CPU Intel, o Core 2 Quad Q6600+. Na época de sua aquisição, a Intel já havia lançado os modelos Q9300 e Q9450. Este último seria o ideal para montar uma máquina de alta performance, porém seu custo, à época, era proibitivo, sendo mais de duas vezes o preço do Q6600.
Compensei essa “provável” desvatagem com um overclock azeitado, usando para isso uma placa-mãe Asus P5K Premium, 2 x 2GB Kingston DDR-800, uma fonte Coolermaster de 650W e um gabinete maravlhoso da Coolermaster, o Centurion 532. Ainda não investi em um cooler melhor, mas isso já está nos planos.
Hoje, esse processador está rodando a 3GHz, ou seja, 25% de overclock com o cooler original, em um gabinete bem ventilado, e executando perfeitamente qualquer tarefa que lhe é passada, sem engasgos, corrupção de dados ou telas azuis, que seriam indicativos de um overclock mal sucedido.
Esta decisão se mostrou tão acertada que, no meu PC atual, obtive o índice máximo de 5,9 para todos os componentes no WIndows Vista Ultimate 64 bits. Boa máquina, bom preço, e espero que me dê somente alegrias até o próximo PC…
Bem, mas voltemos a falar da AMD…
O futuro da AMD é incerto. Recentemente a empresa se desmembrou um duas, sendo uma parte responsável pelo projeto dos chips em si, e a outra parte, responsável pelas linhas de produção desses chips. Esse modelo é semelhante ao adotado pela NVidia, com os projetos concentrados na empresa, e a fabricação sendo repassada a outras foundries, como a IBM e a TSMC.
O que vemos hoje é que o Athlon continua imbatível na montagem de máquinas de baixo custo, em especial os modelos X2 acima de 5000+, pois apresentam uma performance muito maior que a dos Celereon de mesmo clock, por exemplo, e custam praticamente a mesma coisa!
Hoje os modelos top de linha da AMD atendem pelo nome de Phenom, de fenomenal, e em breve eles estarão em um artigo caprichado aqui no ECNSoft.
Para saber mais:
- Artigo sobre o Athlon na Wikipedia
- Artigo sobre o Athlon 64 na Wikipedia
- Artigo sobre o Phenom na Wikipedia
- Artigo sobre o Duron na Wikipedia
- Artigo sobre o Sempron na Wikipedia
Selecionando os melhores modelos
Após anos de experimentações, testes e muito overclock, a Internet nos brindou com uma lista de processadores que se diferem dos demais, mesmo dentro de uma série, no que tange a capacidade de operar acima de suas especificações.
Na listagem abaixo, você encontra as melhores séries para os Athlon Thunderbird, Palomino, Thoroughbred e Barton. Você também aprenderá a indentificar um bom processador, com grandes chances de suportar um overclock mais agressivo.
Iniciemos então a lista…
Melhores séries – Athlon Thunderbird
Apesar de o Thunderbird já ter sido superado em performance por diversos processadores que o sucederam, em nosso mercado ainda encontramos diversos desses processadores à venda, especialmente formando um conjunto com alguma placa-mãe. Para quem tem um processador da classe Pentium II, K6-2 ou K6-III, ainda são um upgrade válido.
É possível encontrar conjuntos com boas placas-mãe + processador + cooler por cerca de R$ 200,00, e o ganho em desempenho é substancial, comparado com esses modelos mais antigos.
Abaixo, segue uma lista dos melhores modelos dentre os Thunderbird:
- AYHJAR
- AYHJA = EYHJA
- AVHA = BVHA
- AXIA = BXIA = AVIA = AXIAR
- AJFA = ARGA
- ADFA
- AQGA = AGGA = ASHHA
- AXHA = ALUM
Dentre as séries acima, as mais saudosas, para quem acompanhou a evolução desses modelos, com certeza são a AXIA, AXIAR e AYHJAR. Esses modelos eram fabricados na FAB30 da AMD, em Dresden, Alemanha. Esta é, até hoje, a melhor foundry desse fabricante. Nesta época, com a placa-mãe certa (em especial algumas ABIT e EPOX, podia-se facilmente, mesmo com refrigeração a ar, fazer um Athlon de 1,0GHz rodar a mais de 1,6GHz, ou seja, com mais de 60% de capacidade de overclock. Isso se justificava, em parte, pelas melhorias pelas quais o Thunderbird passou ao longo do tempo; e ao refinamento do processo de fabricação, que seria utilizado posteriormente no Athlon XP Palomino. Nesta época o autor possuia um Athlon TBird B 1,2GHz, com FSB de 100MHz, série AXIA, que rodava tranquilamente a 12x133MHz (1,6GHz) com uma placa-mãe Abit KD7 (VIA KT333), memórias Crucial DDR-266 CAS2 e cooler VOlcano 9. Não era uma solução muito silenciosa, mas durou muito tempo, até trocar esse processador em um Barton 2500+.
Melhores séries – Athlon Palomino
O que dissemos sobre o Thunderbird também se aplica ao Palomino: apesar de serem processadores bem antigos (com mais de 8 anos nas costas), ainda apresentam uma performance muito boa para tarefas rotineiras de escritório, email e navegação na Internet. Com clocks que variam entre 1,4GHz (1600+) até 1,73GHz (2100+), ainda são suficientes para uma boa parcela dos usuários de computadores que não demandem de muita capacidade de processamento.
- AROGA
- AROIA
- AGOIA
- AGOGA
- AGNGA
- AGLHA
- ARKGA
- AGKGA
- AGKFA
Os Athlon XP Palomino, apesar de não escalarem tanto em frequência quanto os últimos TBird, certamente estavam um passo a frente desses em performance (para processadores de mesmo clock) por trazerem uma série de melhorias no seu processo construtivo, uma nova técnica chamada Super Fetch pela AMD, e pelo fato de contarem com o conjunto de instruções SSE dos Pentium III.
Das séries acima, com certeza as que fizeram a alegria dos overclockers atendem pelas siglas AGOIA e AROIA. Nessa época, com o conjunto certo, era possível pegar um Palomino 1600+ (1,4GHz) e fazê-lo rodar como um hipotético 2200+ (1,8GHz). Como podemos ver, os Athlon XP não eram muito bons para overclock (escalavam no máximo algo como 400MHz), e isso indicava claramente que o processo de fabricação da AMD deveria sofrer uma profunda melhoria caso ela desejasse se manter competitiva. Isso aconteceu com o TBred…
Melhores séries – Athlon Thoroughbred
Quando a AMD viu que estava perdendo terreno rapidamente para a Intel (seu Pentium 4 já escalava a quase 3,0 GHz), decidiu mexer em seu processo de fabricação, lançando modelos do Athlon agora no novíssimo processo de fabricação em 130nm. Uau, o mesmo que era usado nos Pentium 4 dessa época. O resultado dessa mudança foram os Athlon XP Thouroughbred, linha que possuia processadores de 1,4 GHz (XP 1600+) até 2,25GHz (2800+). Eram menores, consumiam menor energia, esquentavam menos, porém, devido à redução da área do die do processador, eram um pouco mais difícil de refrigerar. Em compensação, em mãos habilidosas, conseguiam proezas em overclock, especialmente o modelo B (de processo mais refinado). Abaixo, segue uma lista com as melhores séries desses processadores:
- Série A:
- AJUGA
- AIUGA
- RIUGA
- RIWGA
- RIRGA
- AIRGA
- AIRDA
- AIRCA
- Série B:
- 1700+ e 1800+:
- JIUHB
- KIUHB
- JIUGB
- JIUCB
- Acima 2000+:
- AIUHB
- AIUGB
- AIUCB
- AIUAB
- 1700+ e 1800+:
Nessa época, era comum vermos usuários comprando os simples e baratos TBreds 1600+ (1,4 GHz) e levando-os a mais de 2,3 GHz em overclock. Isso representava 900MHz de overclock em um processador que custava pouco mais de R$ 200,00 à época! Para se ter uma idéia, o top de linha 2800+ (2,25 GHz reais) custava pouco mais de R$ 1.500,00, ou seja, esse processo representava uma economia de aproximadamente R$ 1.300,00, que era suficiente para comprar uma ótima placa-mãe, uma boa quantidade de memória e uma VGA intermediária, com boa performance.
Nos modelos acima do 1800+, eram comuns relatos de processadores rodando a 2,5 GHz, coisa que nenhum modelo oficial da AMD possuia à época! Esses processadores deixaram saudades, e serviram de modelo para os primeiros Sempron na época do lançamento dos K8 (Athlon 64), história essa que será contada em outro artigo…
Melhores séries – Athlon Barton
O Barton foi a última cartada da AMD antes da introdução do Athlon 64 no mercado. Esse processador contava com modelos entre 1,83 GHz e 2,2 GHz, FSB de 166 ou 200 MHz DDR (333 ou 400 MHz efetivos), e um generoso cache L2 de 512kB. Abaixo, temos a lista das melhores séries desses porcessadores para overclock:
- AQZEA
- AQXEA
- AQXDA
- AQUCA
- AIUAA
À época do seu lançamento, em questão de três meses ou menos, a AMD havia disponibilizado modelos com clock entre 1,83 e 2,2 GHz (2500+ e 3200+, respectivamente). Ambos contavam com o mesmo multiplicador (11x), a mesma quantidade de memória cache (512kB) e diferiam apenas na frequência do FSB (166 e 200 MHz, respectivamente). Isso fez acender uma luz na cabeça dos power users que, pesquisando, descobriram tratar-se do mesmo processador! Para fazer um XP 2500+ operar como um 3200+ bastava ter um sistema de bom nível, com uma boa fonte e memórias certificadas para 400MHz DDR, além de uma placa-mãe com suporte ao FSB de 200MHz, claro, e nesse processo, além de poder falar para todo mundo que você tinha um micro TOP de linha, ainda tinha economizado cerca de R$ 1.200,00!
Esse processador Athlon XP 2500+ virou febre, e era vendido na região da Santa Ifigênia, à época, por cerca de R$ 300,00. O seu “irmão rico”, o XP 3200+, não era encontrado em qualquer lugar, e nunca por um preço abaixo de R$ 1.500,00, ou seja, uma diferença de 500% entre ambos! Um absurdo!
Na época da aquisição desse processador (XP 2500+ série AQXDA), o autor possuia uma Abit KD7 (KT 333 + SB 8235). Era uma ótima placa, mas como não suportava oficialmente a operação em 200MHz (DDR-400), teve de ser substituida. Analisando diversos fóruns internacionais e nacionais, reviews, especificações, etc, optou-se por uma Asus A7N8X-E Deluxe, com o chipset NForce 2 Ultra 400 completo, além de diversos outros recursos, como firewire, certificação dos laboratórios Dolby para qualidade de som, etc, etc. O custo dessa placa, na caixa, foi de R$ 350,00, ou apenas R$ 50,00 a mais do valor que foi conseguido com a venda da Abit KD7 + Soundblaster Live! 5.1. Fazendo as contas, o custo total para a migração da plataforma foi de R$ 50,00, pois acabou-se decidindo manter as memórias Crucial DDR-266, que, por operarem em Dual-Channel na nova placa-mãe, melhoraram substancialmente a banda de memória disponível ao processador, e com baixa latência, por operarem em CAS 2-2-2-5. A banda real disponível para o processador ultrapassava 2.500MB/s em dual-channel.
Para realizar o overclock, não poderia ser mais fácil: entra-se na BIOS, altera-se o FSB de 166 para 200MHz, mantém-se o clock das memórias fixo em 133MHz (há uma tabela onde você seleciona o valor) e voilá, ao reiniciar o computador as alterações estão efetivadas e tanto o Windows quanto o CPUID passam a reconhecer o processador como um Athlon XP 3200+. Não foi necessário alterar qualquer tensão de qualquer subsistema, como memória, chipset ou processador. Ambos operaram por anos a fio com suas tensões nominais (processador em 1,65V). Esse sistema operou tão estável, e por tanto tempo, que só foi repassado (vendido) em abril de 2008, e continua prestando bons serviços até hoje, sem travamentos, instabilidade, e com sinais de que tem muitos anos de trabalho pela frente!
Burn, baby… Burn!!!
Abaixo temos uma listagem com as top 30 marcas conseguidas com os processadores AMD desta e de outras famílias. Esta lista está ordenada pelo percentual de overclock conseguindo por cada processador, e não pela performance bruta ou frequência máxima atingida. Com isso, podemos comparar as diversas famílias e entender o quanto cada uma delas é melhor ou pior para overclock.
Nesta lista vemos, entre outros, Durons de 600MHz rodando a quase 1,5 GHz, Athlons TBred 1700+ rodando a 3,4 GHz, enfim, marcas extremas conseguidas em condições extremas, muitas vezes com placas-mãe modificadas, fontes especiais, refrigeração por nitrogênio líquido, além de muitos testes.
| Pos. | CPU | Core | Socket | MHz |
|---|---|---|---|---|
| 1 | AMD Duron 600 | Spitfire | 462 | 1499 |
| 2 | AMD Duron 600 | Spitfire | 462 | 1445 |
| 3 | AMD Athlon XP 1700+ | Thoroughbred | 462 | 3421 |
| 4 | AMD Duron 600 | Spitfire | 462 | 1393 |
| 5 | AMD Phenon II 945 | Deneb | AM2 | 6665 |
| 6 | AMD Duron 600 | Spitfire | 462 | 1323 |
| 7 | AMD Athlon XP 1700+ | Thoroughbred | 462 | 3227 |
| 8 | AMD Phenon II 720 | Deneb | AM2 | 6150 |
| 9 | AMD Athlon 1 GHz | Thunderbird | 462 | 2184 |
| 10 | AMD Phenon II 940 | Deneb | AM2 | 6510 |
| 11 | AMD Phenon II 940 | Deneb | AM2 | 6509 |
| 12 | AMD Duron 1,4 GHz | Applebred | 462 | 3031 |
| 13 | AMD Athlon XP 1700+ | Thoroughbred | 462 | 3164 |
| 14 | AMD Phenon II 720 | Dened | AM2 | 6012 |
| 15 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 3003 |
| 16 | AMD Duron 600 | Spitfire | 462 | 1284 |
| 17 | AMD Phenon II 940 | Deneb | AM2 | 6420 |
| 18 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 2983 |
| 19 | AMD Athlon 1 GHz | Thunderbird | 462 | 2130 |
| 20 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 2980 |
| 21 | AMD Phenon II 940 | Deneb | AM2 | 6384 |
| 22 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 2961 |
| 23 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 2960 |
| 24 | AMD Phenon II 720 | Deneb | AM2 | 5916 |
| 25 | AMD Athlon XP 1800+ | Thoroughbred | 462 | 3234 |
| 26 | AMD Phenon II 720 | Deneb | AM2 | 5904 |
| 27 | AMD Duron 600 | Spitfire | 462 | 1265 |
| 28 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 2946 |
| 29 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 2940 |
| 30 | AMD Sempron 2500+ | Palermo | 754 | 2933 |
Entusiastas pelo mundo todo vem experimentando novas técnicas para se firmarem como campeões de overclock. Para esse tipo de usuário (entusiasta, louco, geek, e nomes afins), a indústria é capaz de fornecer soluções de série que, se por um lado, limitam um overclock extremo, por outro são muito mais fáceis de serem manejadas por um usuário avançado.
Abaixo, seguem links para resultados de processadores atuais, contendo algumas das mais altas marcas já atingidas por processadores em toda a história.
- Top 30 Intel Overclock off all times
- Países que mais enviaram resultados
- Países com maior número de recordes mundiais
Conclusões
O que podemos concluir, baseados em todos os dados aqui expostos, é que, desde épocas imemoriáveis, a técnica de overclock vem sendo a brincadeira preferida de alguns geeks e feras de eletrônica em geral. Pegar um simples processador, como um Duron de 600MHz nominais e fazê-lo rodar a 1,5 GHz nominais, sem qualquer instabilidade ou travamento, e mostrar para todo o mundo, vem sendo o passatempo favorito de entusiastas com tempo e dinheiro sobrando.
Depois de tudo que dissemos, podemos concluir que algumas famílias (e suas séries) de processadores AMD foram (ou são) melhores que outras para overclock. O que dizer do Duron descrito acima, ou do XP 1700+ (1,4GHz nominais) rodando a 3,4 GHz em overclock (um aumento de 2 GHz!).
Certamente, o que mostramos aqui atiçará sua curiosidade e o impelirá a buscar mais informações para brincar de overclock com algum computador antigo e encostado, ou mesmo com o brinquedo recém adquirido.
Enfatizamos que somente recomendamos essa prática caso você saiba muito bem o que está fazendo: as chances de algo dar errado e você colocar todo seu sistema a perder já foram maiores no passado, mas ainda existem. Infelizmente, os fabricantes ainda não conseguiram inventar um sistema a prova de idiotas!
Tenha cuidado, pesquise muito bem antes de qualquer decisão, escolha seus componentes a dedo, vá aumentando a frequência aos poucos, e depois me escreva um email com os resultados. Talvez possamos iniciar um ranking aqui no ECNSoft, em uma área separada!
Abraço a todos, e aguardem para breve um artigo sobre a família de processadores de 64 bits da AMD e Intel.
Artigo escrito originalmente em maio de 2004
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