O Programa Nuclear Brasileiro

O Programa Nuclear Brasileiro nasceu na década de 1940, logo após a Segunda Guerra Mundial. Em meados de 1950, o Brasil e os Estados Unidos firmaram dois acordos de cooperação na área nuclear: o primeiro foi o Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento de Energia Atômica com Fins Pacíficos, que previa a transferência ao Brasil de urânio altamente enriquecido para ser usado como combustível em reatores de pesquisa também fornecidos pelos EUA. O segundo acordo era chamado de Programa Conjunto para o Reconhecimento e a Pesquisa de Urânio no Brasil e previa a pesquisa e avaliação das reservas de urânio em solos nacionais e a posterior exportação do minério aos EUA.

Em 1953, na presidência do CNPq, o almirante Álvaro Alberto acertou secretamente com a Alemanha a construção de três ultracentrífugas de tecnologia desenvolvida pelos nazistas, que seriam enviadas para o Brasil para o desenvolvimento dessa tecnologia no país. No entanto, antes de serem remetidas ao país, um vazamento de informações alertou os EUA, que utilizaram as tropas de ocupação posicionadas na Alemanha para apreendê-las.

Com a criação do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) em 1951 e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) em 1956, o governo brasileiro passa a preparar uma política nacional de Energia Nuclear. A partir daí, foram criados estoques estratégicos de minérios nucleares, como o urânio, o nióbio e o tório.

Em 1971, o país adquiriu um reator nuclear da Westinghouse, movido à urânio enriquecido, depois de um acordo com os EUA, no que viria a se tornar a primeira unidade da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, conhecida como Angra I. O contrato de compra representava apenas uma simples aquisição de equipamento, sem qualquer transferência de tecnologia.

“O Brasil adotou como tecnologia de reatores os reatores a água leve pressurizada (PWR), que usam como combustível urânio enriquecido até 3,5%”. (GONÇALVES, 2008).